segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Adeus numa nota só

Com eira e beira eu vi as suas raízes serem desarraigadas de minhas terras. Com razão e por que eu vi suas lembranças serem esquecidas em minhas conversas. Sem dor nem calafrios eu vivi o seu amor se extinguir em mim. Neste dia eu cantei aquela nossa canção, aquela trilha de nossos passeios e ela tinha som, tinha melodia, tinha poesia, tem emoção, mas sem percussão orgânica era apenas tino vazio pelo ar, era música sem ar, era poesia sem você. Enfim, eu pude deixar de amar ou me perguntar se um dia amei.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Papo sério

De papo sério eu vim de lá
Pra te esperar chegar, amor
Por que você não veio?

Vestida em rosas brancas
Ruas a perfumar de amor
Teci meu corpo inteiro

Pra te encantar cheguei
Os olhos adornei
Desenhei nas íris teu beijar

Pra te beijar, meu bem
Os lábios adocei
Lambuzei das ervas do pomar

Vem então
Não fuja do coral
Nem sai na lateral
O papo é reto, é sério e sem caô

Se joga então
Nos braços infernal
Sem pompa social
Não fale. Cale-me a boca com amor

E eu vou ao céu infernizar teu deus
Coloro o céu de rubro sangue e meus amores
Em fogo incendental

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Era um marco

Nunca o vi gargalhar como daquela forma. Não sei se conseguiria me entender, mas era como se estivessem chacoalhando as ondas nas pedras do mirante. O seu riso era som de muitas águas e isto me contagiava. Eu sentia me encharcar pelas gotículas e suas maresias me corroíam os ossos desfazendo minhas estruturas emocionais. Enquanto ríamos, Marco chorava suas dores. Sentia suas flores florescerem em despedidas repentinas e afiadas. O coitado havia rido um corcovado semanas anteriores, estava sentido-se como rei. Valente menino na comemoração de um primeiro coração ter conquistado. Mas eram mais quisto o umbigos ao coração sincero, amigo, carinho. Duraram pouco seus risos e logo se estabeleceram os cisos no desapaixonar.
Eu não sabia se me banhava nos sais daqueles sorrisos ou contemplava o juízo que se construía menino em Marco. Eu poderia rir, festejar e fazer de conta que o sofrimento era apenas uma ponta de meu prezar, mas poderia escolher pesar a consciência e sentir que o meu mundo também não era assim tão jardim em risos de flores. Nesta hora eu senti um feixe de águas salgadas deslizarem em meu rosto e ele marcou minha emoção e sentir ser feliz.
Era um marco. Era um mar. Era um amor. Era um menino. Era um menino que voltaria a sorrir amanhã e isto me marcaria outra vez o amor.

Quando Cândida amou

Foram cinco cigarros, duas tequilas, uma taça de vinho e algumas cervejas. Se embriagou do álcool e das nicotinas, mas não sentiu o vazio de seu peito ser preenchido. Chorou sozinha.
O seu mundo girou, perambulou e ela caiu na sarjeta das ruas da cidade de cima. Esta mais perto de deus, mas ele não tinha os seus ouvidos atentos aos seus gritos estridentes.
O sol escondeu os seus filhos dela. A lua ocultou de seu dragão o fogo. Até as nuvens dissiparam suas sombras. Eram dias de chuvas e ventos, seca e frio. Eram dias de estações fora de estação.
Cândida tinha o dom da solidão, do grito, do medo, das dores. Cândida tinha o dom nobre de amar. E Cândida amou.

domingo, 4 de setembro de 2011

Um macular de um belo poema

"Salve terra fidelense jóia rica do Brasil"... deste verso se inspirou o meu coração na tentativa de entender o acontecido nesta madrugada em minha bela Igreja Matriz.
Queria fazer deste hino uma prece, um pedido pra que Deus salve a jóia rica de São Fidélis... que não são os poemas, as belas montanhas e cachoeiras, tampouco a própria Matriz, mas os próprios fidelenses que a esta beleza e encanto traz vida, sangue e riqueza. Clamo hoje pra que Deus nos ensine como cidadãos do reino e do município, honrarmos nossa raíz, nossa essência, aquilo que de belo temos e por Ele mesmo foi dado.
Não sou católico, mas sou homem, humano, fidelense e cristão. O acontecido faz o meu coração sangrar, mas não por um partidarismo religioso, mas por uma dor de se entender numa estrutura desrespeitosa, vandalista, e medíocre.
Juramos São Fidélis como cidade de cabeça de porco enterrada, mas nos portamos às vezes como cabeça de porco enterrada no centro do próprio ego, vazio e estupidez, umbigo. Me desculpem, mas tenho anseio por um vômito de emoções e indignação. Inaceitável!
Moramos na cidade poema e nossas construções poéticas são injúrias, falta de fé num futuro próspero, preconceito, maledicências e agora a volta do vandalismo.
Estou até agora tentando digerir o acontecido. Podem sim quebrar as imagens, sujar as portas do templo, ridicularizarem com baixos risos este credo, mas não podem calar a boca de Deus, tampouco cegar os seus olhos. Ali se encontram pessoas que clamam por amor e paz e ainda sim, quando eles se calarem, clamarão as pedras. Lamentável desrespeito. Mas para os vândalos fica o meu último post no Fabebook... Lei da semeadura... E que Deus faça-se transbordar em sol e chuva em suas vidas, fazendo as sementes de suas atitude brotar e florescer.... E então quero ver vocês clamarem por misericórdia. Quando isto acontecer, podem bater a porta pixada da Matriz e os amados que lá congregam com amor e caridade os receberão........ "Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos aqueles que nos tem ofendido... amém."