quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Coração desta canção

A gente era feliz e não sabia
O mundo que eu sempre quis
Não cabia no coração

No nada era o meu tudo
Que alegria
É o ar que eu respiro
É balé no meu pulmão

É a graça que enlaça meu peito
É o encanto real o teu jeito
De me amar

Cheira-me assim contra o tempo
Avance o sinal do momento
Me ama

A gente era nós dois e não sabia
História de antes e o depois
Não existia nesta canção

Na terra era o meu Deus
E no céu minha Maria
Razão do meu sorriso
Coração desta canção

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Menino

O teu sorriso me seduz
Teu olhar me reluz
O intimo

Tua palavra satisfaz
Tua presença me apraz
O espírito

Só vou se você for lá
Lá estou se você ficar
Comigo

Dance, cante, se invente pra mim
Levante e tente um sorriso assim, menino

Dance, cante, se descubra em mim
Levante e tente um destino assim, menino

A companhia dela

Ela me fez companhia todos estes dias
Foi meu café, meu almoço e janta
Fez-se cobertor humano nas noites frias
Foi frescor no coração que inflama
Fez do desafino bela melodia
Fez das palavras poesia que canta
Fez paz nas insistentes intrigas
Refrescou o furor da raiva que inflama
Mais que mulher, foi fiel amiga
Mais que ombro, foi pequena cama
Foi minha sorte, benção, minha figa
Foi minha comédia, romance, drama
Fez-se continente, oceano, ilha
Fez-se bordado, cloché, trama
Foi a saudade minha companhia amiga
Fez-se em saudade meu coração que te chama

Choros de frias tristezas

Rasurei de minhas parades as tuas fotografias
Pus na boca do sapo o nome de tuas atrações
Desenhei no meu corpo minhas fantasias
Satisfiz-me sozinha de volúveis paixões

Mostrei-te secreta perfeitos caminhos
Decifrei para ti o meu coração
Alimentou-se de meu sangue sozinho
Consumiu os reflexos de minha ação

Dancei menina-virgem para ti
Saciei tua fome por pureza
Escreveu piadas toscas e sorri
Sorri choros de frias tristezas

Agridoce amor - parte I

Uma gota. Apenas uma gota de lágrima caiu de seus olhos. Apenas um esforço fizeram os músculos de sua visão para exprimir a dor visível que os transpassavam a compreensão. Um suor. Apenas um suor salgado escorreu pela cavidade das marcas de sua expressão, que como erosão em terra seca fora esculpida das mesmas emoções que hoje provocam dor.
Ela muitas vezes foi vista a chorar de alegria e satisfação, mas aquele último choro era choro de dor, era pranto, era desespero, era sem som, sem cor, cena gravada em câmera lenta, em close, sem closed caption para definir a ambientação.Silencioso gritava seu íntimo.
Aquela mesma lágrima agora temperava seus lábios com o salgado de seu suco. Assim como no encontro do rio com o mar, o seu choro de mesclou com o doce de suas palavras, mas o amargo do fel de seu pensamento tratou de cuidar de sua receita de paixão. Agridoce amor.
Era notória, sua dor apunhalava a multidão que a assistia. Todos sabiam que ela apenas ansiava respostas doces e delicadas em correspondência de amor, mas de fato, não foi como esperado. E ela sofreu amargurada e sozinha.
Por um momento parecia que a multidão não resistiria ao sentido de bom senso e em sucumbir à vontade de envolvimento algo faria, mas não, todos ficaram estatelados e nada aconteceu. Alguns choravam, outros gritavam, ainda outros riam, e ela vasculhava o coração, vomitava suas historias como um alimento azedo e estragado. Havia um abraço embrulhado em seu estômago. Refluxo de emoções.


CONTINUA...